sábado, 19 de dezembro de 2009

Cama de Gato- O embate das pisoteadas

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Antes de assumir o papel da faxineira Rose, protagonista da novela Cama de Gato, Camila Pitanga fez um mergulho na profissão. Conversou com as titulares da limpeza de um colégio carioca e de uma multinacional. "Queria entender a dimensão humana dessa categoria desprezada. Sinto-me porta-voz das faxineiras", diz Camila.

No ar há quase três meses, Cama de Gato alcança 28 pontos de média no ibope nacional, índice superior ao obtido por suas quatro antecessoras no horário das 6 em igual período de exibição. Nas sondagens junto às donas de casa, a Globo detectou os trunfos da novela – caso raro de história contemporânea a se impor na faixa tradicional dos dramas de época.

As espectadoras aprovam o humor ágil e a resolução rápida de seus lances de suspense, características que a aproximam de A Favorita, sucesso das 8 no ano passado (o trabalho das autoras Duca Rachid e Thelma Guedes, aliás, é supervisionado pelo criador de A Favorita, João Emanuel Carneiro).

Mas o que mais a audiência aprecia é o duo que se engalfinha em cena. De um lado está a personagem de Camila, de 32 anos, 1,71 metro e 58 quilos. No outro front, a vilãzinha vivida por Paola Oliveira, que tem 27 anos, 1,70 metro e 56 quilos. Para além da beleza das atrizes, a identificação parece decorrer de um traço : ambas são mulheres pisoteadas pela vida.

Tanto a heroína quanto sua inimiga são vistas como mulheres "batalhadoras". Rose representa os 21 milhões de brasileiras que são arrimo de família : cria os quatro filhos sozinha e atura um ex-marido sanguessuga. Ela é sofrida – mas, ao contrário do clichê das heroínas das 6, não fica chorando as pitangas. "A Rose tem densidade. É uma mulher de carne e osso", diz Camila. Ela demonstra empenho em subir na vida : passou de limpadora de latrinas a executiva da empresa de cosméticos que pertencia ao amado, o mocinho Gustavo (o nem tão moço Marcos Palmeira).

A dissimulada Verônica armou um atentado contra Gustavo, entre outras barbaridades. Mas há que lembrar, em seu favor, que ela era maltratada pelo empresário, um sujeito irascível. Ela também guarda mágoa do pai, um vagabundo que pôs a perder o patrimônio da família.

"Verônica não é uma psicopata. Ela é um poço de ressentimento", diz Duca Rachid. A personagem reedita um fenômeno curioso – o da vilã que as mulheres, em vez de odiar, gostam de imitar. Assim como ocorreu com Bárbara, a malvada interpretada por Giovanna Antonelli em Da Cor do Pecado (2004), ela está entre as mais citadas nos telefonemas, cartas e e-mails recebidos pelo serviço de atendimento da Globo. As espectadoras querem informações sobre seus adereços : o batom salmão, o esmalte laranja, os vestidos e até a parede florida de seu escritório. Nas ruas, no lugar de xingamentos, Paola recolhe reações de simpatia. "As crianças dizem: ‘Você é má, mas é de mentirinha’", conta. A atriz faz a linha docinho de coco (ainda que quem já a namorou garanta : por trás daquele anjinho, há um furacão). Formada em fisioterapia, ela afirma que tirou do atendimento a crianças e idosos uma lição essencial: "Sei fazer o mal porque conheço o bem". Como resume Camila Pitanga, a dupla de gatas machucadas de Cama de Gato "deu samba".

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