sábado, 1 de novembro de 2008

ENTREVISTA DA SEMANA: Luana Piovani


Ela ama cerveja “porque é loura e gelada”. Luana Piovani, 32 anos, 1,78 metro, “está” loura platinada, mas é muito quente. Não tem um tufão nos quadris, mas nos braços longos e teatrais, nas pernas que cruzam e descruzam sem parar. Parecem tentáculos, que ela usa no palco e na vida. A maior arma de Luana é seu intenso amor por si mesma. E o escracho.

A pré-estréia de seu primeiro monólogo, Pássaro da Noite, no dia 22, no Teatro do Leblon, Rio de Janeiro, foi um acontecimento entre amigos. Planejado para reduzir sua insegurança. Adventista do Sétimo Dia, falou antes com Deus, a quem chama de seu “amigo invisível”. No palco, Luana já não era Alice nem Pequeno Príncipe, dois de seus últimos personagens infantis. Agora, é uma mulher madura que mistura tesão e melancolia, veste lingerie, mostra os seios, insinua o corpo e fala sobre homens.

Na platéia, estava o noivo, Dado Dolabella, quatro anos mais novo, a quem Luana, totalmente apaixonada, chamava de Deuso. Os dois já tinham escolhido casa para morar, em São Conrado, e nome da filha, se fosse menina, Valentina. Na festa na boate 00, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro, às 3h30 da manhã, a carruagem virou abóbora. Seguranças e amigos da atriz disseram que Dado deu um tapa no rosto da noiva. Ela teria caído ao chão e fugido para o lounge. Luana descreve a cena. “Ele começou a gritar, inflou o peito. Eu não tenho sangue de barata, gritei também, e aí a santa Esmê (Esmeralda de Souza, 62 anos e 42 quilos, camareira do teatro) tentou me proteger. Dado a jogou longe, no chão”. Dona Esmê luxou os braços, está sem trabalhar e deu queixa. Se ficar mais de um mês sem trabalhar, será lesão corporal grave, e a pena é de um a cinco anos de prisão.

Luana terminou o noivado: “Agradeci ao Senhor meu Deus. Escapei duma roubada. Já pensou se eu casasse com Dado, a que horas esse monstro ia acordar dentro de casa?”. Na quarta-feira, numa suíte de hotel em São Paulo, Luana falou a ÉPOCA. Chegou de blusa azul romântica, bordada de laize, com cintura marcada, calça branca justa, de cintura baixa, e sapatilha da cor da blusa, com brilho. “Adoro muito brilho”. Falou de amor, ciúme, trabalho, nudez, machismo, culpas, fumou quatro cigarros “docinhos, com gosto de menta”. Disse sentir pena de Dado: “Ele estava se preparando para pai de família e jogou tudo fora”. Está triste, mas “com raiva”. Por estar exposta nas páginas policiais. Segundo sua assessora, Daniella Cavalcanti, Luana só vai esclarecer a história do tapa no rosto ao depor na delegacia. “O advogado a proibiu de comentar, senão ela também teria de dar queixa contra Dado. E ela não queria ficar sendo falada como uma mulher que apanhou de um homem”. O delegado responsável pelo caso pediu à boate as imagens gravadas naquela noite.

Na semana passada, Luana conseguiu seu passaporte italiano, como bisneta de imigrante. “Agora, me deram asas. Vou para a Europa. Uma amiga sensitiva me disse que meu homem não é brasileiro. Faz sentido, depois de tantos namorados ciumentos”. Seu livro de cabeceira, sintomaticamente, é O Homem dos Sonhos, de Tatiana Maciel (editora Agir). Para Luana, todos eles deveriam fazer terapia, como ela faz desde os 19 anos. “Se Dado não fizer psicanálise, vai acabar preso”.

Dado foi um dos namorados mais ciumentos que você teve?

Luana Piovani – A julgar pelo que aconteceu... Todo mundo dentro de si tem um lado ruim. Depois que eu li Humano, Demasiado Humano, de Nietzsche (filósofo alemão), comecei a me entender. Não consigo lidar com o ciúme porque não sou ciumenta. Tem uma música que o Sting canta, “If You Love Somebody, Set Them Free” (“Liberte Quem Você Ama”).

O motivo da briga foi sua peça?

Luana – Foi uma junção de coisas. Ele parecia bem na pré-estréia, me disse coisas lindas, mas acho que estava disfarçando algo que o incomodava muito.

Ele não bebeu demais?

Luana – Eu bebo e o Dado bebe. Ele não estava bêbado, não estava caindo nem tropeçando. Ele queria ir embora, eu não, e... que saco, toda vez era a mesma coisa (Ao mudar de assunto pulando do cenário para o lounge, Luana recorre a um artifício para omitir o que houve na pista de dança. Na entrevista gravada, ela diz e repete que, “com a graça de Deus”, não levou tapa nenhum. Foi desmentida por testemunhas). Ele aumentou o tom de voz, ficou agressivo, eu não tenho sangue de barata, gritei: “Pára por aqui”. Ele foi chegando perto, com aquele jogo de corpo de briga, de homem que dá uma inflada no peito, santa Esmê (camareira do teatro) veio, ele a pegou e a jogou longe.

Você diz em seu blog que “se livrou de uma roubada”. Que roubada?

Luana – A possibilidade de casar com uma pessoa violenta. Ali eu vi. Claro que já sabia de histórias do Dado, como aquela dos velhinhos da Portela (leia na pág. 108). Você pensa, velhinhos tem de respeitar.

Por que mulheres demoram ou nem registram queixa contra agressão?

Luana – Vergonha de se sentir humilhada. A gente cresce assim. Igreja, família, todos mandam a gente ficar com vergonha. As menininhas na praia vestem a parte de cima do biquíni. Para quê? A agressão não deixa de ser uma ferida. Mexendo nela, demora mais a cicatrizar. A Justiça é lenta. Você quer esquecer, mas tem de ir lá na p.q.p. falar com um delegado que nunca viu na vida, registrar ocorrência com um braço imobilizado e o outro engessado.

Alguma vez você já foi agredida?

Luana – Já. Já sofri agressão física por ciúme. Não reagi. Chorei. Meus amigos me protegeram, mas não de ter de separar de porrada. Sabe aquele aperto no braço? A primeira pessoa que eu encontrar agora vou mandar fazer um teste com psicólogo, detector de mentiras, porque não dá mais.

Agora você está pensando mais na peça?

Luana – Olha que loucura. Na festa da peça, teve uma hora em que eu disse: Eu poderia morrer agora, de tão feliz. Fora essa loucura que me aconteceu, estou vivendo o melhor momento da minha vida. É muito bom ver o olho dos amigos molhado e dizer “meu Deus, que crescimento, que luz você é no palco”. Valeu a pena ter dito não para o caminho mais fácil, em que você só faz novelas e se apóia num contrato de 30 anos com uma emissora. Monólogo é o ápice. Agora acho que posso fazer Shakespeare, (Harold) Pinter.

Como lidar com essa mistura de céu e inferno, sucesso e páginas policiais?

Luana – Fazendo terapia, tomando floral, cantando, tendo uma família estruturada que me apóia e amigos fortes e unidos.

Você apareceu sem aliança.

Luana – Ainda estou muito triste. Ia ser a primeira vez que me casaria, a gente ia se mudar assim que passasse a estréia. Tínhamos achado uma casa em São Conrado. E de repente, não mais que de repente, do riso fez-se o pranto (versos de “Soneto de Separação”, de Vinícius de Moraes). O bom é que a vida não deixa a gente se abater. Todo dia o sol nasce e a gente tem de acordar. E minha vida é muito boa.

Ele andou falando em reatar.

Luana – Eu duvido.

Mas e se ele quisesse?

Luana – Não tem a menor possibilidade. Nenhuma hipótese.

Nem se ele resolvesse fazer terapia com sua psicanalista freudiana?

Luana – Acharia ótimo para ele. Não me apaixonei por um monstro, ele é um menino bom. Gosta de criança, animais, natureza, é carinhoso, sorridente, feliz. Tem milhões de defeitos, como todo mundo, mas, se fizesse análise, eu ficaria feliz por ele, que não vai fazer isso de novo e acabar preso. E fico feliz pela próxima mulher com quem ele se relacionar. Vai usufruir das coisas boas que ele tem. Depois de tudo, é impossível que ele não aprenda.

Você não falou mais com ele?

Luana – A gente trocou umas mensagens pelo celular. Ele se arrependeu muito no começo. Foi atrás de mim, me puxou, dizia: “Pelo amor de Deus, vamos conversar, deixa eu me explicar”, me pegava. Foi aí que eu pedi ajuda aos seguranças.

A diferença de quatro anos entre você e Dado influencia na maturidade?

Luana – O homem é mais imaturo que a mulher. Não se pode culpar a idade. Nem bebida, nem idade, nada. Não tem nada que amenize: a culpa, o descontrole são dele.

Você já tem 32 anos. Está em busca de alguém, novamente?

Luana – Eu amo amar, minha casa, amigos, a praia, meus peixinhos. Claro que quero casar e ser mãe.

O que você diria a mulheres que se separaram por causa de agressões?

Luana – Primeiro, parabéns. Segundo, espero que todas tenham uma vida preenchida, porque é o que segura a gente. Uma mulher que não tenha amigos, trabalho ou ambições se segura em quê? O apoio da família também é muito importante.

Houve outros incidentes com Dado. Ele convive bem com a fama?

Luana – Todos temos nossos buracos e nossas fraquezas. Claro que o Dado tem uma vida abençoada, como todos nós aqui. Temos saúde, trabalho, sabemos votar. Mas ele tem problemas. Perdeu o pai, que era um ídolo dele. Ficou um buraco. Ele gosta de música, mas acaba trabalhando mais como ator, o que o incomoda. Penso na mãe (a atriz Pepita Rodrigues), na imagem dele, que já não era das melhores, estava fazendo um trabalho bacana, tentando organizar a vidinha para casar, ser pai. Veio tudo por água abaixo.

Em algum momento ele explicou por que teve essa crise?

Luana – Tentou, mas não tem explicação, né? Disse que estava com ciúme, que não agüentou a peça, o texto, a roupa, a nudez velada, ele estava como uma panela de pressão e uma hora explodiu. So what (“E daí?”)? É quase melhor não tentar se desculpar, porque não faz sentido. Meus amigos nem queriam que eu tivesse reatado com ele em maio. A gente passou por maus bocados no primeiro namoro. Uma vez a gente estava atravessando a rua indo para a praia e ele começou a discutir com um cara de carro. O cara desceu e era a loura daqui segurando um, a loura do carro segurando o outro. Era um pouco de loucura misturada com ciúme. Eu acreditava que ele tinha mudado. É engraçado, como é que eu podia achar que ele tinha mudado? Só se fosse por obra e milagre de Deus. Ele não foi fazer terapia, não tomou remédio, continua morando com a mãe, com roupa lavada e passada, tira o tênis e tem alguém que pega o tênis, joga a meia suja e tem alguém que pega. É que o amor é cego, surdo e mudo. Eu o reencontrei mais tranqüilo, selecionando melhor os amigos, só bebendo à noite quando não tinha de gravar de manhã. No meio daquela loucura, eu aos prantos consegui olhar para Deus e falei: “Meu senhor, eu não te questiono mais, eu te aceito. É para o meu bem”. Se ele só tivesse sido grosso nas palavras teria sido diferente. Mas houve agressão física. Ele podia fazer isso dentro da minha casa...Vai saber que dia esse monstro ia acordar. Deus me livre!

Você acha que desperta esse tipo de ciúme nos homens?

Luana – Olha, eu sei que não é fácil estar a meu lado. Eu podia ser bonita e burra e não falar. Podia ser tímida, avessa a badalações. Podia não gostar de dançar. Ou de beber. Podia não ter tantos amigos. Então eu sou bonita, falo, penso, danço, me visto bem, sorrio horrores, bebo champanhe e tenho mil amigos, aí fica mesmo pesado. Só que meu noivo poderia pensar: “Olha que mulher legal, e que bom que ela é minha!”. Os meus namorados sempre foram lindos, legais, interessantes, e eu não ficava enlouquecida porque todos saíam na noite e as mulheres ficavam embasbacadas, jogando cabelos e mexendo ombrinhos. Eu e Rodrigo (Santoro) fazíamos uma peça e a gente não conseguia ir até o final do texto porque as meninas gritavam.

Você sempre fala do desejo de ser mãe.

Luana – Não tem nada mais superior e milagroso para uma mulher que ser o único ser capaz de criar uma vida.

Você sofreu um aborto espontâneo em 2004, quando estava com Rico Mansur.

Luana – Com a dor você enriquece, entristece, amadurece, aprende. A primeira entrevista que eu fiz quando tinha um programa de entrevistas em Nova York foi com a Marisa Monte. Quem sou eu para entrevistar Marisa Monte? E ela me disse uma frase que nunca mais vou esquecer: “Nietzsche diz que o que não mata fortalece”. Depois fui saber que era um filósofo alemão. Por mais que estejamos lutando pelos direitos da mulher, tenho o sentimento de que mulher nasceu para parir, dar à luz. Sei que é uma loucura e que a gente está aqui para muito mais do que isso, mas a mulher sente o aborto espontâneo como um fracasso. Levei muito tempo para superar esse luto.

Até hoje você é criticada porque Rodrigo Santoro soube pela mídia que você estava saindo com outro.

Luana – Claro que errei, mas não se pode querer que uma pessoa de 20 anos tenha a maturidade de uma de 35. Já cometi muitos erros, mas eu era jovem. E experiência de vida e maturidade você não compra na farmácia. Eu me arrependi. Carreguei essa cruz durante anos. Com muita terapia, os anos passando, a gente entende melhor.

Existe alguma mulher que você admire muito?

Luana – Sou apaixonada pela Marilyn (Monroe). É bonita e eu adoro as coisas bonitas. E ela tem algo mais, a tristeza no olhar. Uma vez me perguntaram, se eu pudesse conhecer alguém, quem eu escolheria. Eu disse: Jesus Cristo, Vinícius de Moraes e Renato Russo. Não conheci nenhum dos três. Melhor assim, porque descobri que é melhor não mitificar ninguém.

Um de seus ídolos, Caetano Veloso, a pôs numa saia justa ao negar que você fosse a musa de uma canção dele.

Luana – Meu único arrependimento nessa história foi: por que eu mitifiquei tanto essa pessoa? Por que eu não entendi que o Caetano é um ser humano? Eu fui à gravação de um CD como convidada dele. Eu não dirijo, ele me deu uma carona até a porta de casa, tirou um papelzinho do bolso, leu e disse: “Escrevi isso para você”. Quase morri, agradeci horrores. Blecaute, mudança de cena. Um ano depois, vi o novo CD do Caetano nas bancas, comprei dois, abri para ler as letras, e vi minha música. Pensei: “Cara, ele musicou o que escreveu para mim”. Escrevi no meu blog sobre isso um mês depois. E aí, surpresa... Hoje nem consigo escutá-lo mais.

Você se considera uma mulher muito bonita?

Luana – Me considero.

Existe alguma coisa que você gostaria de ter diferente?

Luana – Gostaria de gostar de malhar. Vejo aquelas bundas duras em Ipanema, nas revistas com aquela pele lisinha, aquela marca do músculo da lateral do bumbum que vai assim para dentro, acho aquilo lindo. Acho tão bonito uma bunda para cima, acho um sucesso. Tenho a bunda que mereço ter. Mas ela está ótima e eu não vivo da minha bunda, entendeu? Quando estou na praia vou bem esticadinha, vou bem devagarinho. Aquele negócio de novela, levanta e sai correndo na direção do mar, jamais! Mas sempre me exercitei por causa dos personagens.

De que você gosta em sua aparência?

Luana – Sou falsa magra, porque tenho coxa, bunda e peito. Eu podia nascer sem peito, mas dei sorte de tanto tomar água na concha.

Tomar o quê?

Luana – Tomar água na concha. Eu falava para minha avó que queria ter peito e minha avó mandava eu “tomar água na concha”. Ela falava que era uma simpatia para o peito crescer. Mais barato que silicone. Deu certo.

Qual é seu ponto forte, Luana?

Luana – Eu acho que o meu ponto forte é a cabeça.

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